Thursday, 19 February 2015

Foi...

Foi. Como tudo que um dia acaba, ele se foi. Não, não dissemos palavras amargas, porque esse erro eu já cometi anteriormente. Ele foi a primavera no meu verão: suave, cheio de vida, cores, aromas. Ele foi meu pôr do sol mais sublime, foi meu dia amanhecendo sem pressa.  Foi a canção que tentei escrever mas que nunca consegui terminar. Não consegui porque sempre faltava algo a mais.
Faltou sentir que éramos dois, amando juntos. Eu tentei, mas só tive incertezas.  E como eu tentei! Entreguei-me de corpo e alma e estava presente em cada momento. Vivendo meus melhores dias. Doando o melhor de mim. Sem medo e sem culpa. Arriscando a minha sanidade em busca de algo que era real apenas pra mim. Ele foi a minha loucura mais sensata!
Ele foi o motivo pelo qual me senti viva novamente. Foi quem despertou em mim essa ânsia de vida, quem abriu novamente as portas dos meus sonhos e me fez ver que o mundo, ah! O mundo! está ai apenas esperando para ser descoberto.
Ele foi o motivo do meu sorriso sem hora marcada. Foi mas já não pode mais ser.
Eu entreguei meu coração, meus dias, minhas horas, todos meus pensamentos. Mas já não dá mais. Já não posso suportar o peso da indiferença. Não posso mais dormir e acordar sem saber como ele se sente. Por isso estou deixando ele ir.
Digo ir, dentro de mim. Estou deixando a vida seguir seu rumo, como ela realmente deveria ser. Amar pela metade não é pra mim.
Não há espaço na minha vida para mais incertezas. Já tenho muitas e elas me castigam o bastante.
Por isso deixo ele partir. Fico aqui com a lembrança da última vez. Senti que tinha sido especial porque naquele momento eu estava dizendo adeus. É essa sensação que prefiro levar dentro de mim, para onde quer que eu vá.
Não quero todos os momentos que me senti perdida, não quero carregar dentro de mim todas as mágoas e dias tristes.  Quero apenas o melhor. Por isso espero que ele entenda porque tive que partir. Não suportaria viver duas vidas e tantos sonhos pela metade.
Ele foi o que eu procurei e sempre quis. Mas nos encontramos em momentos errados. Nossas vidas não estavam preparadas para tanta intensidade. Eu só queria viver seus dias, mas quis sozinha.
Ele foi meu melhor beijo, minha fuga, a razão das minhas mentiras. Tudo que fiz, foi porque precisava me sentir cada vez mais viva, mais perto dele. Mas algo mudou dentro de mim e preciso entender e aceitar que foi lindo,  maravilhoso, mas que ele não veio pra ficar. Estava de passagem e eu estava no meio do caminho.
Eu amei como pude. E por ter essa sensação dentro de mim, aceitei que ele teve que partir.
Um dia, quem sabe um dia, tudo isso faça algum sentido. Nesse momento, só sinto a dor de ter que dizer tudo isso que está dentro de mim.
Ele foi tudo.  Tudo... Mas já não pode ser.




Monday, 1 December 2014

Perguntas e mais perguntas...

Tenho todos os sonhos do mundo dentro de mim.  Vejo as luzes da cidade se apagando, uma a uma. A noite vai passando e eu continuo não me encontrando. É como se tudo que eu fui, tudo que eu sou, tudo que eu quero ser se fundissem dentro de mim de forma unilateral.
Busco por respostas em rostos estranhos. Continuo numa busca sem fim, nunca encontro muitas respostas. Cada dia tenho mais dúvidas.
Quem eu sou, aonde quero chegar?  Por que estou aqui? Por que isso acontece comigo? O que eu realmente quero da vida?
Sinto o vento passar por mim e ele me traz uma doçura inesperada. Sinto esperança por alguns segundos. Brindo `a mim mesma, ao meu descaso, aos dias que passam sem sinal de melhora e `a tudo que desejo intimamente.
Me apego muito ao que não posso ter. Me parece ser uma saída mais fácil. Menos comprometedora, menos previsível. Mas no dia seguinte sou tomada por questões que me tiram o sono. Sou apenas mais uma peça de um jogo voraz, sou parte de um sonho sonhado por alguém, mera imaginação. As noites em claro muitas vezes compensam, e o fato de acreditar que somos  únicos me conforta, (até certa hora).
Queria ser o sonho principal, queria ser o fôlego sendo exaurido no beijo .Queria ser a música que nunca foi tocada, queria ser a chuva molhando a pele suada,  queria ser o primeiro sinal que o dia está amanhecendo e queria realmente demonstrar que  não existe hora nem lugar pra ser feliz e fazer alguém feliz.
Vivemos uma vida de clichês, datas, horas, compromissos, padrões... Será que algum dia estaremos preparados para nos perder? Nos deixar levar pelo momento? Nos deixar levar por uma simples e leve sensação de que nada volta?  De que cada momento é único e deveria ser eterno?
Mais alguém sonha meu sonho? Mais alguém quer se sentir livre mesmo tendo o peso do mundo nas costas? Seguindo padrões, estrelas perdidas,  horas que passam desenfreadas por relógios cansados?
Não , não, eu não devo ser a única. Não posso ser...Existe muito mais além de nossos  abraços cansados, existe muito mais além do que nos contaram quando éramos crianças. Existe uma vida esperando por nós, esperando que tenhamos a coragem necessária para fazer acontecer. Se vai ser hoje, se vai ser amanhã, não sei. Fecho meus olhos por alguns segundos e consigo sentir, imaginar tudo que poderia ter sido e não foi, por medo.  Um medo que vem me visitar nas madrugadas em claro. E posso garantir, elas tem sido muito frequentes.
Eu enfrento a minha loucura com paixão e com a certeza de que, cedo ou tarde, aqui ou em outro lugar, alguém vai conseguir me entender e vai conseguir ver o que existe além desse olhar misterioso.
Esse “eu” , tem sido guardado há tempo. Quem sabe um dia, quem sabe em algumas horas, quem sabe na próxima semana “ele” apareça...não sei, o tempo não me pertence. E meu destino, tão desgrenhado, quem sabe , possa transcender tudo que escrevi até agora.
Por enquanto, me basta essa página sendo escrita, a música que toca ao fundo e o silêncio avassalador da madrugada que está passando.
Estou só...

Tuesday, 7 October 2014

Decisões...

Ah! As decisões!!! Por que é tão difícil virar uma página? Por que é tão difícil deixar algo pra trás? Por que na maior parte do tempo não temos coragem de mudar? São tantos porquês, tantos “e se” , tantas dúvidas que não se calam. O barulho do medo é perturbador. E se você estiver fazendo a escolha errada? E se amanhã você se arrepender ? E se esse for seu destino? Não aguento mais tantas perguntas sem respostas e a insônia dos dias me desanima. 
Queria poder ter todas as repostas, queria saber qual o melhor caminho a seguir, mas eu não sei. Meus sonhos mal cabem em mim. Eles transbordam dos meus olhos. Eles me impulsionam para tentar encontrar o melhor destino. Mas eu sempre me perco,  me saboto, me esqueço no meio desse processo. Nem sempre dizer adeus é fácil. Acho que essa etapa, consome grande parte da paz que tanto buscamos no nosso dia a dia .  
Deixar algo para trás, machuca, dói, ainda mais quando esse algo é um sonho tão antigo. Mas preciso seguir minha intuição. Preciso seguir meu coração nesse momento. Preciso refletir, me encontrar. Não posso mais seguir em frente dessa forma, apenas para agradar aos outros. A maior interessada e prejudicada nessa estória sou eu. 
Preciso reencontrar meu amor próprio e a paixão por coisas que já deixei para trás há muito tempo.  Preciso aprender a lidar com escolhas e decisões e mais ainda, preciso aprender a me perdoar. Pois é, quero sempre me superar, em todos os momentos, todos os dias, mas chega uma hora em que você tem que parar, analisar e aceitar : só posso ir até aqui, pelo menos por enquanto.
Não é fácil ter que deixar algo escapar pelos dedos, mas `as vezes é a melhor saída.  É necessário me curar para poder seguir em frente.

`As vezes é preciso parar, para poder continuar. E é isso que estou fazendo.

Monday, 8 September 2014

Perder...

Perder. Verbo triste.  Quem perde não tem data, hora marcada. Tudo acontece num sopro, quase que de improviso. Um dia está aqui e no outro já se foi, apagou, cancelou, deletou, morreu. Morreu... E como dói perder. Parte do que somos, do que fomos se vai cada vez mais, cada vez que um adeus não é dado, cada vez que uma porta se fecha, cada vez que, por orgulho, não olhamos para trás. E deixamos partir...
Perder ... Quem dera tivéssemos escolhas e controle sobre tudo. Mas mal sabemos como será o nosso dia ,nosso próximo minuto, nossa próxima hora. Temos tudo esquematizado, arrumado, determinado e de repente, sem avisos ou sinais, você perde.  Simples assim. Não importa sua altura, seu peso, suas cicatrizes, seus pensamentos , seus lamentos. Cedo ou tarde você vai sentir o gosto amargo da ausência não consentida. Cedo ou tarde você vai receber uma notícia que não esperava e cedo ou tarde, você tem que aprender a deixar as coisas partirem.
Perder não é apenas um verbo, porque um verbo não tem toda a imensidão de uma dor. Um verbo apenas existe para ser representado. Mas a dor, essa não. Essa simplesmente não tem explicação.  Ela existe e pronto. Ela ataca quando menos se espera e magoa, principalmente quando os pensamentos tentam se aquietar, encontrar paz e sossego.
Vivemos uma vida toda imaginando que tudo acontece aos outros, com os outros e que nós estamos protegidos de alguma forma. Mas que mentira mais deslavada essa! Somos todos frágeis, pequenos, humanos...sozinhos.
Um dia você simplesmente acorda e tudo muda de lugar. Acho que mais difícil do que perder, é ter que aprender a viver com a dor da perda.  Com todas as frases soltas que nunca disse, com todos os abraços que poderia ter dado e não deu. Com todas as vezes que deixou de fazer o que queria por medo. Um medo ridículo, sem sentido, que só existe para te provar que afinal, a vida é feita de momentos. Não quero ter medo, não quero sofrer, não quero sentir essa dor, não quero perder...Infelizmente, essa é a única certeza que temos. Que um dia, cedo ou tarde, quer você queira ou não, eventualmente, vai perder. E essa certeza sim me dá medo. Um medo avassalador...um medo vazio, triste, sozinho...

Wednesday, 20 August 2014

Um dia, quem sabe...

E o que fazer com todas essas lembranças, com todos esses minutos descompassados, com a memória dos dias que já não tenho mais? Tantas indiferenças acumuladas, desejos revelados e destruídos, jogados ao acaso, ao fim.
Me vejo e não me reconheço.  Saio `a procura de mim, mas já não sei por onde andei. Já não me enfrento, me tolero. É como se tudo que fui, tudo que quero ser, se perdesse dentro de mim. E se algo acontecesse de repente, num dia qualquer, e te tirasse o sono? E se esse de repente fosse tudo que a sua alma estava precisando? E se de repente, sem dizer muita coisa, tudo isso vai embora e você continua com o coração vazio ? E , se tudo não passou de um simples momento, um simples “olá”, enquanto teu corpo e a tua alma queriam um “até logo mais”? E se essas lembranças fossem tão fortes que te fizessem perder a calma, a paz?

E se você quisesse tentar? Se você quisesse sentir, se não quisesse deixar partir? E se o toque das mãos no rosto fosse tão importante quanto o beijo? E se a respiração acelerasse e por alguns momentos teu mundo se tornasse melhor? E se você não deixasse essa pessoa partir? Será que as coisas seriam diferentes? Será que estaria menos triste? Nunca vou saber... Hoje quando abri meus olhos percebi que tudo se foi. Que o pouco que tive me fez ter esperança e ao mesmo tempo, uma dúvida avassaladora.  Não sei que caminho seguir. Minha alma pede um lugar seguro.  Mas não há nada, não há ninguém. Tudo que eu conheço , tudo que eu toco, tudo que imagino, simplesmente vai embora...cedo ou tarde, vai embora...

Thursday, 12 June 2014

Perguntas sem respostas...

Inquietos pensamentos me tiram o sossego.  Eu respiro teus lábios na minha memória, saudade que transcende sem se preocupar com os espaços.  Já devoras o que antes era silêncio. Me tomas com a fúria de amores adormecidos. Te desejo e  te tenho, mas segundos após te perco.
Te trago para perto de mim: pele, saliva, suor.  Devaneio nos meus desejos mais secretos e nego a tua ausência. Quanto mais te nego, mais te quero.  Saboreio cada toque, porque sei que eles podem ser os últimos.
Sinto em teu olhar a incerteza de um alguém, me afasto porque assim me protejo, fujo, me intercalo entre meus medos.  Sim, tenho muitos!
Pulsas em mim como se quisesse algo a mais, como se tudo que disponho não bastasse, mas permaneces em silêncio e eu na dúvida. Eu te desejo.  Desejo conhecer os teus dias, tuas esquisitices. Desejo poder dormir e acordar ao teu lado, sem medo. Pode ser que tudo isso mude, pode ser que essa vontade de você se perca no meio de tantos compromissos, ou pode ser que eu te deseje mais e mais...
Mas já não sei o que fazer...te espero? Te esqueço? Não sei, só sei que deixar rolar já não consigo mais.

Vai ficar por quanto tempo? Preparo um café ou preparo a minha vida?"