Fiquei muito tempo sem escrever.Também sei que isso não faz muita diferença. Não espero resultados. Não espero publicar livros. Já desejei me sentar perto do mar e tirar toda inspiração necessária para ser uma escritora conhecida. Mas nunca tive coragem de dar o primeiro passo.
Não acredito em mim mesma. Não acredito que eu seja capaz de fazer alguma coisa bem feita.Só acredito que existem momentos na minha vida que eu só queria apreciar, detalhar, segurar o tempo por mais uns segundos nos momentos mais brilhantes.
Queria poder me lembrar pra sempre do cheiro que vem da casa dos meus pais quando eu abria a porta da cozinha. Queria poder eternizar os abraços mais apertados que eu recebi.
Queria poder descrever cada dia que eu desejei estar realizando algum sonho e de todas as vezes que me senti sem saída, sentada no chão do banheiro, tentando entender a minha dor.
Hoje mesmo quis fugir,pensei em fugir.Queria ir para algum lugar onde o tempo não me sufocasse.Penso que a vida muitas vezes é ingrata e quer te provar a todo custo
o quanto você é apenas mais uma peça de um jogo sem fim.
Estou apenas contando os segundos de um tempo que parece interminável. Não vejo respostas, não vejo saída. Só sei da saudade que eu sinto. Das coisas que queria ter feito.Das vezes que me sinto um fracasso. Das vezes que eu quis tanto ser feliz e procurei isso de formas erradas.
Já não sei mais quem eu quero ser.
Queria poder me olhar no espelho e me amar. Queria me gostar. Queria ver a pessoa incrível que se esconde dentro de mim.
Queria não me sentir pequena e precisando de colo a cada dia que passa.
Ninguém vai me ler. Mas isso já não me importa mais. Quero apenas desabafar e descrever as diversas paisagens que se mostram estranhas diante de mim.
Momentos que perdi, medos que passei, crescimento que vivenciei. Amigos que eu fiz. Todos os dia que chorei. Pensamentos que nunca me abandonam. Medos que se instalaram de forma incondicional na minha vida.
Não queria ter que enaltecer a dúvida por ser meu sentimento mais constante. Só queria chorar, mas chorar muito e não sentir que tudo que eu fiz foi em vão.
Sinto que estou no lugar errado, mas existem pessoas que precisam de mim. Não queria ter que conviver com a culpa de ser responsável pela infelicidade alheia.
Mas vivo com a culpa de não seguir meus próprios sonhos.
Quando eu era criança tinha muito medo de não ter coragem o suficiente de seguir a minha vida e dar meus primeiros passos.
Pensei que era forte o bastante e engoli todos os meus orgulhos e fui trancando cada dor em compartimentos muito grandes. Só que não eram grandes o bastante.
Tudo foi se acumulando e eu fui me tornando mais fria e insensível em relação ao mundo que está ao meu redor.
Já não tenho tanta paciência. Já não tenho tanta compaixão.
Me pergunto sobre as injustiças que acontecem no mundo e até estou tentando salvar o planeta evitando usar sacolas plásticas dos supermercados e nunca jogo lixo no chão.
Mas ser bom para o mundo, não é ser bom para as pessoas que você ama. Alguém vai estar sempre querendo mais. Tem horas que você simplesmente não pode mais.
Você simplesmente não é tão boa quanto queria ser e um dia seu namorado vai olhar para você e dizer que você precisa mudar.
E você vai chorar abraçando o travesseiro e pensar em todas as coisas que queria ter feito e não fez, por medo ou indecisão.
E você vai lembrar de todas as viagens que fazia com a sua família e das brigas para ficar do lado da janela, escutando música gaúcha e comendo salgadinho de presunto.
E um dia você vai voltar na casa dos seus pais e rever todas essas fotos quando todos já estiverem dormindo e você vai chorar. Vai correr para o banheiro e se olhar mais uma vez no espelho meio manchado, vai rever cada linha do seu rosto e pensar...Para onde a minha vida me levou? Vai querer gritar, mas não vai poder. Vai sentir pena de si mesma e se perguntar muitas vezes se está fazendo a coisa certa. Mas a resposta disso, você nunca terá.
Somos espíritos não tão livres como gostaríamos. Somos condicionados ao mundo, que está cheio de dores e dias cinzas.
Não quero pular etapas, não é isso.
Só queria ter a certeza que sou especial na vida de alguém e que isso não prejudicará jamais a sua vida.
Não sinto que eu faça parte de alguma coisa. Sou apenas mais uma etapa na vida de alguém. E o tempo vai passar e vou perceber que estarei sozinha mais uma vez, tentando encontrar a mim mesma depois de mais um dia...
Tuesday, 5 January 2010
Thursday, 15 October 2009
CAMINHOS
Parece até que eu estava de férias.
Como se o tempo não tivesse encostado seus dedos frios nas minhas costas. Como se os dias fossem lentos e tivessem parado os ponteiros do relógio na parede. Já não tenho mais todas as palavras que eu queria escrever.
Tudo está passando e já não sei mais entender o frio que vem lá de fora. Foram tantas estações que mortificaram a minha alma; foram tantas as paisagens que foram se modificando. Tantas janelas batendo, carros passando, risos de madrugada. Eu tive que me abituar a abrir meu guarda-roupa e sentir outro cheiro de amaciante. Outros formatos, outras cortinas, minha cama com lençol emprestado. Quantas vezes me senti sozinha e fechava meus olhos numa tentativa, quase inútil, de encontrar algo que me confortasse em meio a tanta saudade. Mas eu sempre me via sozinha.
Vozes estranhas, mundos diferentes, indiferenças, medo! Quantas vezes desejei apenas voltar para casa e pode abraçar a minha família e apenas dizer: eu sinto muito por toda a saudade que eu causei. Quantas lágrimas como essas de agora, eu já não chorei?Quantos minutos de silêncio eu já me presentiei? Quantas dúvidas e medos eu já vivi?
Manhãs sem sol, palavras que não consolavam, mentiras que apareciam, mágoas que se acumulavam. Quantos dias sem fim...
É como se realmente eu estivesse de férias, mas de um mundo que antes para mim era conhecido. Mudei! e mudei muito e dentro de mim às vezes sinto tanta dor e tanto medo que eu não saberia explicar aqui com apenas algumas palavras a intensidade de cada um desses sentimentos.
Estou voltando...já começo a sentir a minha alma mais leve e livre. Poderei respirar sem medo de ver o tempo e a vida passando.
Eu cresci e percebo isso em casa centímetro do meu corpo. Mas o crescimento maior, ninguém consegue ver, sequer tocar...é ele, esse crescimento, que me faz dizer :DEUS, OBRIGADA POR MAIS UM DIA! Mesmo tendo passado por tantos caminhos difíceis, hoje sei que tudo foi necessário para que eu encontrasse o meu verdadeiro caminho...
Thursday, 8 October 2009
SONHO DE CONSUMO?
Você tem algum sonho de consumo?
Eu estava caminhando esses dias por Knightsbridge, e me deparei com ela, o que seria um sonho para muitas pessoas, estava diante de meus olhos e juro que senti até vergonha de tirar a foto. Pensava: E se alguém me ver aqui parada tirando a foto? Eu não queria me sentir pequena diante de um carro que custa mais de 350 mil libras ( pouco mais de um milhão de reais). Meio acanhada, tirei de dentro da bolsa a minha câmera e bati algumas fotos. Enquanto as tirava,olhava ao meu redor para ver se alguém se aproximava. Fiquei pasma. não havia ninguém interessado no carro ou no que eu estava fazendo. E você sabe por que?
Simplesmente porque é apenas um carro e aqui mesmo eles sendo desejados e impressionarem alguns, nunca vão deixar de serem apenas: carros!
Não quero julgar o tamanho do teu sonho ou o quanto ele é importante para você. Só queria que você reavaliasse o que realmente é importante na vida. Momentos de reflexão são fontes de sabedoria com valores inestimáveis.
Tenha um ótimo dia!!!
Monday, 28 September 2009
MULHERES!!!
Primeiramente peço desculpas pela minha falta de periodicidade. Sei que as vezes nada justifica a ausência, mas posso dizer que tive meus motivos. Serei egoísta em preservar a fonte deles e espero que você sempre retorne aqui para “me ler”.
Gostaria de comentar sobre um assunto que acredito que afeta todas as mulheres. E a pressão da mídia para que elas( seres humanos normais)sejam perfeitas. Estava vendo um site, que prefiro não divulgar o nome e achei incrível como alguns “jornalistas” se é que assim os podemos chamar, divulgam fotos e textos com as frases do tipo: até tu “fulana”?
Ok. Vou tentar ser mais clara, estamos falando de celulites. Estava lendo a respeito disso faz algum tempo e diziam que 95% das mulheres têm celulites, as que não possuem é porque já fizeram algum tratamento ou estão fazendo. Claro que sabemos que uma vida saudável, sem vícios e regada a exercícios é fundamental para manter um corpo bonito. Mas ai vem aquela questão que falei anteriormente, o julgamento da mídia diante dessas mulheres, que por serem conhecidas por seus trabalhos na televisão ou na dança, qualquer meio que seja, são julgadas por terem os indesejáveis furinhos.
Gente!!!!! Estamos perdendo a noção do ridículo! Vou perguntar, levanta a mão quantas de vocês que estão lendo isso têm celulite? Teriam coragem de se expor aqui e escrever: eu tenho? Deixo aqui essa proposta. E para começar eu deixo a minha : SIM, EU TENHO!
Faço exercícios mais de 4 vezes por semana, malho cada centímetro e mesmo assim eu continuo com os furinhos. Mas não deixo de usar alguma roupa que eu gosto, porque alguém vai falar alguma coisa.
Acredito que algo fundamental nessa história toda, é você estar de bem com você mesma, independente de alguém estar dizendo o que é certo ou errado. Somos lindas sim, fofas, gostosas, vitaminadas, como queiram ser chamadas, mas acima de tudo somos seres humanos com opinião e queremos respeito.
O mundo que querem nos mostrar através dessa pressão da mídia, ele não existe! Sempre teremos imperfeições, sempre vamos estar querendo melhorar sim, mas queremos fazer isso por nós mesmas, e não porque alguém vai falar dos seus “defeitos” sempre que você colocar um biquíni e for até a praia. Somos muito mais que os comentários dos outros, somos seres humanos e só por isso, já somos imperfeitos. E devemos aceitar essa verdade.
Se as pessoas olhassem mais ao seu redor, perceberiam o quanto estão se tornando mesquinhas e pequenas, querendo julgar a amiga ou a estrela da novela das oito, porque ela não é aquele ser perfeito que ela pensava...
Você deixaria de sair com a sua namorada, por exemplo, porque ela tem celulite? Ou você deixaria de ir até a praia e curtir as maravilhas da natureza porque alguém falaria de você? Deixaria? Será que nós , mulheres, vamos levar essa tarja em nossas cabeças, ou melhor, em nossas pernas e bumbum para sempre?
Você já parou para pensar nisso? Ou o fato de alguém famoso ter celulite apenas te deixa mais tranqüila e satisfeita em relação ao seu corpo?
Pare e pense...
Gostaria de comentar sobre um assunto que acredito que afeta todas as mulheres. E a pressão da mídia para que elas( seres humanos normais)sejam perfeitas. Estava vendo um site, que prefiro não divulgar o nome e achei incrível como alguns “jornalistas” se é que assim os podemos chamar, divulgam fotos e textos com as frases do tipo: até tu “fulana”?
Ok. Vou tentar ser mais clara, estamos falando de celulites. Estava lendo a respeito disso faz algum tempo e diziam que 95% das mulheres têm celulites, as que não possuem é porque já fizeram algum tratamento ou estão fazendo. Claro que sabemos que uma vida saudável, sem vícios e regada a exercícios é fundamental para manter um corpo bonito. Mas ai vem aquela questão que falei anteriormente, o julgamento da mídia diante dessas mulheres, que por serem conhecidas por seus trabalhos na televisão ou na dança, qualquer meio que seja, são julgadas por terem os indesejáveis furinhos.
Gente!!!!! Estamos perdendo a noção do ridículo! Vou perguntar, levanta a mão quantas de vocês que estão lendo isso têm celulite? Teriam coragem de se expor aqui e escrever: eu tenho? Deixo aqui essa proposta. E para começar eu deixo a minha : SIM, EU TENHO!
Faço exercícios mais de 4 vezes por semana, malho cada centímetro e mesmo assim eu continuo com os furinhos. Mas não deixo de usar alguma roupa que eu gosto, porque alguém vai falar alguma coisa.
Acredito que algo fundamental nessa história toda, é você estar de bem com você mesma, independente de alguém estar dizendo o que é certo ou errado. Somos lindas sim, fofas, gostosas, vitaminadas, como queiram ser chamadas, mas acima de tudo somos seres humanos com opinião e queremos respeito.
O mundo que querem nos mostrar através dessa pressão da mídia, ele não existe! Sempre teremos imperfeições, sempre vamos estar querendo melhorar sim, mas queremos fazer isso por nós mesmas, e não porque alguém vai falar dos seus “defeitos” sempre que você colocar um biquíni e for até a praia. Somos muito mais que os comentários dos outros, somos seres humanos e só por isso, já somos imperfeitos. E devemos aceitar essa verdade.
Se as pessoas olhassem mais ao seu redor, perceberiam o quanto estão se tornando mesquinhas e pequenas, querendo julgar a amiga ou a estrela da novela das oito, porque ela não é aquele ser perfeito que ela pensava...
Você deixaria de sair com a sua namorada, por exemplo, porque ela tem celulite? Ou você deixaria de ir até a praia e curtir as maravilhas da natureza porque alguém falaria de você? Deixaria? Será que nós , mulheres, vamos levar essa tarja em nossas cabeças, ou melhor, em nossas pernas e bumbum para sempre?
Você já parou para pensar nisso? Ou o fato de alguém famoso ter celulite apenas te deixa mais tranqüila e satisfeita em relação ao seu corpo?
Pare e pense...
Wednesday, 23 September 2009
ROTINA
Ela saiu rápido, não fechou a porta. Não olhou para trás. Os cabelos desgrenhados presos por um elástico amarelo estão caiando em seu rosto, pálido, fino, pele não muito cuidada. Talvez ela não teve uma boa noite de sono, talvez não fosse mais tão nova assim. Ela correu, mas o ônibus já havia saído. Abriu a sua bolsa, mexeu em alguns papéis, pegou uma chave e a olhou por alguns segundos. A pôs em um bolso menor na parte da frente. Seu telefone tocou. Mais pessoas chegavam no ponto de ônibus. Seus cabelos continuavam bagunçados.
Impaciente, olhava o relógio. Abriu a sua bolsa novamente e tirou um sanduíche, deu algumas mordidas e o embrulhou novamente num pedaço de papel . Seu ônibus chegou com 3 minutos de atraso porque o trânsito das seis horas chega a ser insuportável. Entrou, mostrou seu bilhete ao motorista, ele sacudiu a cabeça dizendo que o bilhete não era mais válido. Mais impaciente ainda ela colocou as mãos no fundo da bolsa e pegou algumas moedas e entregou a ele. Foi até o fundo, sentou-se numa poltrona com o tecido rasgado, encostou sua cabeça na lateral e fechou seus olhos, cansados, pesados, tristes. Seus dedos estavam entrelaçados, a alça de sua bolsa caia sobre suas pernas, e o mundo todo continuava seu ciclo, normal, correria, ruas, travessas, sinais, cafés, restaurantes, praças, público, teatros, números, sacolas, turistas, jornais. Tudo tão simplificado, reduzido, desmoralizado e aceito!
E ela? Ela só queria fechar seus olhos e dormir, naquele ônibus com a poltrona rasgada.
Impaciente, olhava o relógio. Abriu a sua bolsa novamente e tirou um sanduíche, deu algumas mordidas e o embrulhou novamente num pedaço de papel . Seu ônibus chegou com 3 minutos de atraso porque o trânsito das seis horas chega a ser insuportável. Entrou, mostrou seu bilhete ao motorista, ele sacudiu a cabeça dizendo que o bilhete não era mais válido. Mais impaciente ainda ela colocou as mãos no fundo da bolsa e pegou algumas moedas e entregou a ele. Foi até o fundo, sentou-se numa poltrona com o tecido rasgado, encostou sua cabeça na lateral e fechou seus olhos, cansados, pesados, tristes. Seus dedos estavam entrelaçados, a alça de sua bolsa caia sobre suas pernas, e o mundo todo continuava seu ciclo, normal, correria, ruas, travessas, sinais, cafés, restaurantes, praças, público, teatros, números, sacolas, turistas, jornais. Tudo tão simplificado, reduzido, desmoralizado e aceito!
E ela? Ela só queria fechar seus olhos e dormir, naquele ônibus com a poltrona rasgada.
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